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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Educação Publica no Brasil


O pior cego é aquele que não quer ver!

Um processo em curso, encabeçado por grupos empresariais que procuram constituir-se como “reformadores”, pode vir a alterar profundamente a estrutura da educação pública no Brasil, por intermédio da privatização da gestão (a exemplo do que já ocorre na saúde) e pelo avanço de práticas de natureza mercadológica, como a competição entre escolas.
Trata-se da lógica do capital, abrindo brechas por meio de institutos e fundações privadas em todas as esferas de governo, até mesmo no Ministério da Educação (MEC). Quem faz a advertência é o professor Luiz Carlos de Freitas, diretor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A interpretação enviesada dos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos, mais conhecido pela sigla PISA — um sistema que mede o nível educacional de jovens de 15 anos por meio de provas de leitura, matemática e ciências — tem sido um  dos instrumentos principais empregados por grupos de reformadores empresariais como  “Todos pela Educação” e “Parceiros da Educação” para justificar seus projetos.

O PISA é realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), “herdeira do Plano Marshall”, nas palavras de Freitas. O Plano Marshall foi um programa econômico de recuperação dos países europeus devastados pela 2ª Guerra Mundial, concebido e executado pelos Estados Unidos da América (EUA) a partir de 1947, e foi fundamental para a hegemonia econômica norte-americana. A OCDE, na época “Organização para a Cooperação Econômica Europeia”, foi criada para coordenar o Plano Marshall.

Os resultados obtidos pelo Brasil no PISA levam esses reformadores empresariais a defender a necessidade de mudanças profundas no sistema educacional brasileiro. Na visão do professor Freitas, essa rede de grupos empresariais é bem articulada, envolve desde a cooptação de profissionais da educação para respaldar suas ações, passando pelo convencimento da sociedade civil por meio da mídia, até a introdução de seus representantes em equipes de governos (municipais, estaduais e federal), de modo a lidar diretamente com a definição de políticas públicas de educação. Na esteira desse projeto de reforma segue a “indústria da educação”, composta por empresas que prestam serviços de avaliação da qualidade de ensino, de consultoria, de gestão (de escolas) e de apostilamento de conteúdo aplicado aos alunos.

Freitas, contudo, desconstrói o discurso dos “reformadores empresariais” brasileiros, pois nos Estados Unidos (EUA), onde as políticas propostas por seus congêneres vigoram há três décadas, a qualidade de ensino permanece estagnada, e o sistema público foi, segundo ele avalia, destruído. “Nova Iorque publicou agora a avaliação de 18 mil professores no jornal da cidade, com nome e tudo. A idéia é desmoralizar o professor. Fragilizá-lo. Isso é um pacote que inclui também o apostilamento das redes, que é outra indústria, fortíssima, que fornece apostilas para as redes”.

O desdobramento desse tipo de visão é que, para seguir apostilas em salas de aula, não há necessidade de professores muito capazes: “Não entendem o professor como profissional, mas como um tarefeiro, pode até ser um tutor, nem precisa ser professor. Para isso, então, se tiver uma pessoa movida a bônus e uma apostila, é o suficiente. Acredito que estamos vivendo um processo que, se prosseguir, vai destruir o sistema público de educação brasileiro, como destruiu nos EUA”, avalia o professor nesta entrevista concedida a Michele da Costa.

Essas políticas estão querendo induzir no Brasil que nós acreditemos que nota alta em teste é sinônimo de boa educação. E isso é uma falácia... depende do que se entenda por educação,  do que é medido e de como é medido.

Os EUA não apresentam melhoras significativas nas avaliações internas que evidenciem uma melhoria na sua educação. Então, de onde vem a ideia de que se eu importar as soluções americanas (ou chilenas) nós melhoraremos a situação brasileira?

A lei de responsabilidade educacional americana oficializa a política dos reformadores empresariais e cria todas as condições para a privatização. Há um batalhão de consultores envolvidos nas secretarias e escolas. Tem muita gente ganhando dinheiro.

A gente esperava que no Brasil o MEC, sob o governo do PT, estivesse atento a esses processos. Mas, em recente troca, o MEC levou lá para dentro pessoas do “Todos Pela Educação” para ocupar postos importantes, com a responsabilidade pela formulação da política da educação básica.

Querem copiar para dentro da escola o modelo empresarial: demitir e admitir professores sem estabilidade, como na CLT.
O ideal para os reformadores empresariais é poder demitir aqueles que não ensinam segundo os padrões que eles estabeleceram, independentemente das condições de trabalho. Se há estabilidade, não podem.

O ranqueamento produz a concorrência, a disputa, que não é típica da área educacional. O segmento educacional não se comporta como o empresarial, dos negócios, em que a divisão é entre ganhadores e perdedores.
Na educação não podemos tratar as pessoas como ganhadores e perdedores.

Apostilas, SARESP, meio de controle e dominação para implantação da privatização, se realmente querem avaliar poderiam usar o ENEM, sem gastos excessivos! 
Leia mais no anexo ou no link abaixo, vc tbm pode pesquisar em seu navegador por: 
Agenda dos reformadores empresariais pode destruir a educação pública no Brasil"

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

SARESP


Texto extraído da Gazeta valeparaibana para reflexão sobre o SARESP e sua eficácia.

Nossa Educação Pública

SARESP: INDICADOR DE QUALIDADE OU PARANÓIA PEDAGÓGICA?

Mais um final de ano se aproxima e com ele, para os estudantes da rede pública estadual de São Paulo, está chegando o “grande” dia do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP). 

Grande? 

Por que grande? 

Para os alunos esse dia não passa de mais uma prova que “não dá em nada”. Para os professores é um dia em que uma prova definirá o seu “bônus”. Para a direção é um dia tenso, pois não pode ocorrer nenhuma falha. Para a Diretoria de Ensino (DE), é um dia de grande expectativa, pois o trabalho de um ano inteiro será avaliado por essa prova. Para a Secretaria de Estado da Educação (SEE), é um dia de grande sucesso.
O fato é que desde 1996 essa prova ocorre no mês de novembro nos últimos dias letivos do ano. Aliás, vale lembrar que culturalmente para os alunos (e alguns professores) a aplicação do SARESP é o último dia letivo do ano.

O SARESP é uma avaliação de múltipla escolha, aplicada para os alunos que estão na 2ª, 4ª, 6ª e 8ª série (3º, 5º, 7º e 9º ano) do Ensino Fundamental, e 3º ano do Ensino Médio. As questões são, em sua maioria, língua portuguesa e matemática, alternando ano após ano entre ciências humanas e ciências físicas e biológicas. Além das questões, os alunos e a família respondem, também, a um questionário socioeconômico, cultural e aspectos gerais da situação escolar. Por fim, os professores e gestores das escolas também respondem aos questionários on line.

Essa avaliação corresponde ao que a SEE denomina como índice de desempenho, pois a partir da nota do SARESP, será calculado o IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). Os índices são seguidos de metas estabelecidas pela própria SEE que gera, no final das contas, o “bônus” dos professores.

O fato é que o modelo do SARESP como está não é dos ruins (já foi pior). Hoje as questões obedecem a metodologia do TRI (Teoria de Resposta ao Índice). Mas não é sobre isso o que queremos abordar. O que vamos abordar com maior profundidade é a caça desesperadora atrás dos índices.

Durante o decorrer do ano, os coordenadores das escolas e diretores lembram em todos os momentos aos professores que a turma X ou Y fará SARESP. As orientações na DE são em vistas ao SARESP. As ATPC’s (Atividades de Trabalho Pedagógico Coletivo) são em busca da melhoria do SARESP, enfim, tudo o que se respira na escola é em torno do SARESP. 

Mas será que o SARESP é um fim ou é um meio? 
Será que a escola, as orientações técnicas, as leituras, o planejamento das aulas, as ATPC’s, as reuniões de planejamento e replanejamentos deveriam estar à disposição do SARESP ou o SARESP deveria realmente apresentar os resultados obtidos a partir de uma preocupação maior com o aluno e com sua aprendizagem?

Os questionários socioeconômicos, culturais e das peculiaridades da escola que os professores, gestores, pais e alunos respondem não estão disponíveis às próprias escolas e à comunidade.

Ora, como querem que se criem planos de gestão administrativa e pedagógica nas escolas se os instrumentos de avaliação interna não estão disponibilizados?

Afinal, existe transparência ou não nesse processo?

Muito tempo se perde discutindo as “hipóteses sobre os distratores”, ou seja, as teorias de porque o aluno não assinalou a “A” ou a “B” ao invés da “D”. 

- Por que não se discutem a baixa formação didático-teórica dos professores?
- Por que não se discute o plano de carreira dos professores? 
- Por que não se discute a reforma no currículo e nos conteúdos?
- Por que não se discute o excesso de alunos em sala de aula?
- Por que não se discute a falta de segurança nas escolas? 
- Por que não se discute a falta de infraestrutura nas escolas? 
- E por que esses itens não entram na pesquisa?

São muitos problemas, portanto, é mais fácil discutir as teorias de resposta aos índices.

A prova em si, realmente não atesta muita coisa. Muitos alunos (a maioria) não levam essa prova a sério. Não acreditam na importância de a escola atingir os índices de educação. Uma prática que costumamos indicar é comparar as notas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) com a nota do IDESP. 

A prova do ENEM é de maior complexidade e os alunos conseguem melhor desempenho. Por quê? 

Será que esta prova tem mais significado ao aluno do que a outra? Será que por detrás disso está um conjunto de interesses pessoais? 
Pois o ENEM é a porta de entrada para muitas faculdades e acesso às bolsas. Enquanto que o SARESP “só dá o bônus para o professor”?

Por fim, acreditamos que o modelo de gestão do IDESP deve ser revisto e, principalmente, a superimportância que se dá ao SARESP ao longo do ano e o esquecimento de que o aluno deve ir para escola para aprender um conjunto de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais e não para chegar ao final do ano, pintar o alvéolo, cumprir a meta da escola e ver os professores com bônus.

Mudando um pouco de assunto, não poderíamos deixar de parabenizar nosso redator chefe, Filipe de Sousa pelo brilhante trabalho que tem feito para com a melhoria da qualidade de ensino disponibilizando a CINCO ANOS esse espaço para que nós professores, gestores, pensadores e executores tenhamos nosso espaço para manifestar nossa opinião, sem qualquer tipo de censura. 

Parabéns GAZETA VALE PARAIBANA. São cinco anos de muito barulho e conhecimento. 

Bem sabemos que no nosso país não é fácil escrever e falar sobre educação, principalmente apontando as falhas do sistema, mas justamente por não ser fácil é que nós do programa E agora José e voluntários da OSIP Formiguinhas do Vale desejamos que todo o sucesso para esse projeto.

Omar de Camargo
omacam@professor.sp.gov.br
Técnico Químico, Professor em Química.
Pós-Graduado em Química.
Ivan Claudio Guedes
icguedes@ig.com.br
Geógrafo e Pedagogo, especialista em
Gestão Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando em Geologia.